A cidade de Cardeal da Silva, interior da Bahia, terá a primeira creche pública totalmente especializada no atendimento de crianças com autismo. Graças a uma parceria entre a Central das Creches do Brasil e a prefeitura do município será viabilizada a construção de duas novas instituições de educação na cidade, sendo uma delas voltada, exclusivamente, para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Profissionais da área de saúde mental e educadores defendem a implantação das creches especializadas para garantir o desenvolvimento das crianças e o cumprimento de acesso a educação, conforme determinam as leis.

A parceria integra o programa nacional da Central das Creches do Brasil, que prevê a construção de 13,5 mil novas unidades em todo o Brasil nos próximos 10 anos. A experiência no município baiano representa um marco inicial do modelo especializado. De acordo com o presidente da Central, Clériston Andrade, a instituição tem um olhar extremamente sensível para as crianças em educação infantil, principalmente, para aquelas que possuem transtornos e demandam de atenção e cuidados especiais. “Nosso objetivo é garantir um espaço adequado e profissionais preparados para atender às demandas específicas de desenvolvimento e aprendizagem dessas crianças”, pontuou Andrade.


Especialista em atendimento de crianças com deficiência e TEA e psicólogo no CAPS infantojuvenil de Salvador, Vinicius Correia, explica que a presença da criança na creche é fundamental para estimulação inicial do aprendizado. “Inclusive esse acesso na creche logo nos primeiros anos de vida assegura que nas futuras fases da vida essa criança tenha maior autonomia. Quanto mais cedo a estimulação, melhor!”, assinala, lembrando que a inclusão educacional na primeira infância é garantida por leis.
O que diz a Lei – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394) determina oferta de educação para pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. “É fundamental! Principalmente para estimular a interação entre os pares, a reciprocidade socioemocional, o desenvolvimento da comunicação, principalmente da linguagem. Além disso, a criança passa a desenvolver uma certa independência inicial na relação materna, perpassando pelo desfralde e desmame”, explicou o psicólogo.
