
A ausência de creches dentro das universidades brasileiras tem sido um dos principais obstáculos para a permanência de mães no ensino superior. Sem um local seguro para deixar seus filhos, muitas estudantes acabam abandonando cursos, adiando sonhos e enfrentando desigualdades que poderiam ser evitadas com políticas de apoio à maternidade acadêmica.
Débora, Borges, estudante de LL.M. em Mercado de Capitais e Finanças, mãe uma criança de 6 anos enfatiza sobre as dificuldades de ser estudante universitária e mãe ao mesmo tempo. “Viver essa realidade não é só uma questão de agenda, é uma equação diária de energia, logística, culpa, foco e responsabilidade. Estudar em alto nível sendo mãe não é falta de prioridade com o filho; é justamente o contrário. Construir futuro com esforço consciente.”
Completando sua fala, Débora explica que o problema é ainda maior quando se é mãe solo, assim como ela. “Para uma mulher mãe solo, a possibilidade de existir uma creche na universidade mudaria completamente a experiência acadêmica. Não seria um luxo. É estrutura de permanência. É condição real de igualdade. Ter meu filho perto, em um ambiente seguro, cuidado e supervisionado, me permitiria assistir aulas com mais presença, participar melhor das atividades e reduzir a ansiedade constante que toda mãe sente quando está longe e dependente de terceiros ou de soluções improvisadas.”
Algumas universidades brasileiras e estrangeiras já contam com creches universitárias ou programas de apoio à parentalidade acadêmica, como a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Goiás (UFG), etc. Essas iniciativas mostram resultados positivos, tanto na permanência das estudantes quanto no desenvolvimento das crianças atendidas. Além de beneficiar mães alunas, esses espaços também podem atender servidoras, professoras e estudantes em situação de vulnerabilidade, ampliando o impacto social da política.
Para que as creches universitárias se tornem realidade em mais instituições, é fundamental o envolvimento do poder público, das universidades e da sociedade civil. Políticas de permanência estudantil que considerem a maternidade como uma dimensão da vida acadêmica são essenciais para garantir o direito à educação de forma plena.
Segundo Clériston Silva, presidente da Central das Creches do Brasil, Investir em creches universitárias é investir no futuro de mães, crianças e da própria educação brasileira. “Garantir creches em universidades é assegurar que a maternidade não seja um fator de exclusão educacional. Trata-se de uma política pública essencial para a equidade e para o desenvolvimento social do país”. Destacou Clériston.
Por: Adriane Moreno
