AMÃ – A escalada da violência militar no Irã atingiu um ponto de ruptura humanitária nesta semana, colocando em xeque a segurança de instituições de ensino e o futuro de toda uma geração. Segundo dados oficiais divulgados pelo UNICEF nesta quinta-feira (5), o conflito já resultou na morte de pelo menos 180 crianças, transformando o que deveriam ser santuários de aprendizado em zonas de guerra.
O Massacre em Minab: Um Ataque à Primeira Infância
O episódio mais devastador ocorreu no último dia 28 de fevereiro, na cidade de Minab, no sul do país. Um ataque atingiu a Escola Primária Feminina Shajareh Tayyebeh enquanto as aulas estavam em pleno funcionamento. O balanço é trágico: 168 meninas mortas, a maioria com idades entre 7 e 12 anos. Outras 12 crianças perderam a vida em ataques distintos em cinco localidades diferentes do país.
Para a rede Central das Creches, que zela pelo direito ao cuidado e educação desde os primeiros anos de vida, esses números representam não apenas uma perda de vidas, mas a destruição do alicerce social de comunidades inteiras.
Infraestrutura em Colapso e o Direito de Estudar
A brutalidade dos combates não poupou a infraestrutura civil essencial. Relatórios confirmam que:
20 escolas e 10 hospitais foram severamente danificados ou destruídos no Irã.
A interrupção das aulas força o fechamento de instituições, gerando altas taxas de evasão escolar.
O deslocamento forçado afasta professores e alunos de suas rotinas, causando uma descontinuidade pedagógica que pode durar décadas.
Cicatrizes Invisíveis: Trauma e Retrocesso
Além das perdas físicas, o impacto psicológico sobre os sobreviventes é imensurável. A exposição direta à violência e a perda de familiares geram quadros de Estresse Pós-Traumático (PTSD), ansiedade e depressão, comprometendo severamente a capacidade cognitiva e o desenvolvimento emocional das crianças.
Estudos da Concern Worldwide US apontam que crianças em zonas de conflito têm 30% menos chances de concluir o ensino primário. No caso das meninas, o fechamento das escolas aumenta drasticamente os riscos de trabalho infantil e casamento precoce, revertendo décadas de avanços em igualdade de gênero.
Um Apelo pela Proteção dos Civis
O UNICEF, que em 2025 celebrou 75 anos de atuação no Brasil, reforçou o apelo para que o Direito Internacional Humanitário seja respeitado. Escolas e hospitais devem ser locais seguros, protegidos por todas as partes envolvidas em conflitos.
A Central das Creches do Brasil une-se ao monitoramento internacional, reforçando que a proteção da infância deve ser a prioridade absoluta, independentemente de fronteiras ou contextos políticos. A vida e o bem-estar das crianças são inegociáveis.
Por: Tailson Souza | Central das Creches do Brasil 6 de março de 2026
Assinatura: Tailson Souza Repórter e Colunista – Central das Creches do Brasil
