Mesmo sendo obrigatória a partir dos 4 anos de idade, a educação infantil ainda não chega a todas as crianças brasileiras. Um levantamento recente revela que, em 16% dos municípios do país, o equivalente a 876 cidades, pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos não está matriculada em creches ou pré-escolas.
O dado escancara um desafio persistente, que é garantir na prática um direito previsto por lei. Embora o acesso tenha avançado nos últimos anos, milhares de crianças seguem fora da escola, especialmente em regiões mais vulneráveis e afastadas dos grandes centros urbanos.
As desigualdades regionais ajudam a explicar esse cenário. No Norte do país, por exemplo, a situação é mais crítica, com quase 30% dos municípios que ainda não conseguem atender pelo menos 90% das crianças nessa faixa etária. Já no Sul, onde a estrutura educacional é mais consolidada, esse índice cai para cerca de 11%. O Nordeste aparece com 17%, seguido pelo Centro-Oeste (21%) e Sudeste (13%).
Quando o olhar se volta para as crianças de até 3 anos, o desafio é ainda maior. Em 81% dos municípios brasileiros, menos de 60% delas estão matriculadas em creches, um número distante da meta prevista no Plano Nacional de Educação, que busca ampliar esse atendimento nos próximos anos.
Apesar das dificuldades, algumas capitais já conseguiram universalizar o acesso à educação infantil para crianças de 4 e 5 anos, mostrando que é possível avançar. Ainda assim, em outras cidades, os índices permanecem abaixo do ideal, reforçando a urgência de políticas públicas mais eficazes e investimentos contínuos na primeira infância.
