O Brasil deu um passo importante para compreender melhor como as crianças aprendem e se desenvolvem nos primeiros anos de vida. Um estudo inédito apresentado em Brasília revelou dados sobre aprendizagem e bem-estar de crianças de cinco anos matriculadas na pré-escola em escolas do Ceará, Pará e São Paulo. A pesquisa contou com apoio do SESI e faz parte de uma iniciativa internacional coordenada pela OCDE.
O levantamento é considerado um dos primeiros estudos em larga escala no país voltados especificamente para a educação infantil. Ao longo de quatro anos, pesquisadores analisaram dados de 2.598 crianças em 210 escolas públicas e privadas. Além das crianças, pais, responsáveis e profissionais da educação também participaram da pesquisa.
O estudo avaliou habilidades ligadas à leitura, matemática, memória, controle emocional, empatia e convivência social. Os resultados mostraram que as desigualdades educacionais já aparecem antes mesmo do ensino fundamental. Crianças em situação socioeconômica melhores, apresentaram melhores índices em áreas de leitura e números.
Durante a apresentação dos resultados, representantes das instituições envolvidas destacaram que o objetivo da pesquisa não é criar rankings, mas ajudar na formulação de políticas públicas voltadas à primeira infância. O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, afirmou que os dados podem contribuir para identificar desafios e construir caminhos para melhorar a qualidade da educação infantil no país.
A vice-diretora de Educação e Habilidades da OCDE, Lucia Dellagnello, também ressaltou que investir na primeira infância é essencial para reduzir desigualdades futuras. Segundo ela, muitos dos desafios educacionais observados ao longo da vida escolar começam ainda nos primeiros anos de desenvolvimento.
Os organizadores defendem que os resultados devem servir como base para ampliar investimentos em educação infantil, fortalecer políticas públicas e garantir que crianças de diferentes realidades tenham oportunidades mais igualitárias desde cedo.