A falta de estrutura adequada nas escolas brasileiras vai muito além do desconforto físico. Problemas como salas quentes, mobiliário inadequado, falhas de manutenção e ambientes pouco acolhedores têm afetado diretamente o desempenho dos estudantes e o processo de aprendizagem em todo o país.
O alerta faz parte de análises e estudos desenvolvidos pela Fundação Getúlio Vargas, que apontam a infraestrutura escolar como um dos fatores centrais para a qualidade da educação e para a permanência dos alunos nas salas de aula.
Segundo o estudo, ambientes escolares inadequados comprometem funções cognitivas importantes, como atenção, concentração e raciocínio. Em períodos de calor intenso por exemplo, estudantes tendem a apresentar mais cansaço, dificuldade de foco e até aumento nas faltas escolares.
Além do impacto pedagógico, a precariedade estrutural também aprofunda desigualdades sociais já existentes. Em muitas regiões do Brasil, principalmente nas periferias e em áreas mais vulneráveis, escolas enfrentam carência de equipamentos básicos, acesso limitado à tecnologia e espaços insuficientes para atividades pedagógicas e recreativas.
Para a FGV, melhorar a estrutura das escolas significa criar ambientes mais seguros, confortáveis e preparados para estimular o desenvolvimento das crianças e adolescentes. O estudo também defende planejamento, monitoramento contínuo e investimentos públicos capazes de garantir qualidade e equidade no ensino.
A discussão ganha ainda mais relevância diante dos desafios enfrentados pela educação brasileira nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando muitas desigualdades estruturais ficaram ainda mais evidentes.