Educação infantil para um futuro melhor.

Professor defende creche itinerante em escolas da EJA para combater evasão de mães estudantes

A falta de um local seguro para deixar os filhos enquanto estudam está entre os fatores que contribuem para a evasão de mulheres matriculadas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O alerta foi feito pelo professor de Matemática Matheus Lordelo durante participação no podcast Brasil do Amanhã, da Central das Creches do Brasil, na última quarta-feira (9).

Professor da EJA, ele relatou que cerca de 90% dos estudantes de sua turma são mães solo e defendeu a implantação de uma espécie de creche itinerante dentro da própria estrutura das escolas que oferecem aulas no período noturno.
A proposta, segundo Lordelo, permitiria que as mães deixassem os filhos em um ambiente preparado para recebê-los durante o período das aulas. O espaço funcionaria simultaneamente às atividades da EJA, garantindo acolhimento e acompanhamento às crianças enquanto as mulheres permanecem em sala de aula.

Para o professor, a medida pode contribuir diretamente para reduzir a evasão escolar entre mulheres que desejam retomar os estudos, mas enfrentam uma realidade marcada pela sobrecarga de responsabilidades e pela ausência de uma rede de apoio. Na experiência vivenciada por Matheus Lordelo em sala de aula, esse cenário é bastante presente. Segundo ele, aproximadamente 90% da turma é formada por mães solo. Muitas precisam conciliar trabalho, cuidados com a casa, criação dos filhos e a tentativa de concluir a escolarização.

A dificuldade se torna ainda maior à noite. Sem creches funcionando nesse horário e, muitas vezes, sem familiares ou outras pessoas com quem possam deixar as crianças, algumas estudantes acabam faltando às aulas ou abandonando os estudos.
Creche como instrumento de permanência escolar
A criação de uma estrutura de atendimento às crianças dentro das unidades que oferecem EJA noturna, na avaliação do professor, ajudaria a enfrentar um problema que ultrapassa os limites da sala de aula. A ideia é fazer com que o acesso à Educação Infantil e ao cuidado com as crianças também funcione como uma política de apoio à permanência das mães na escola.

A proposta de uma “creche itinerante” poderia utilizar espaços das próprias unidades escolares, com estrutura adequada e profissionais preparados para desenvolver atividades com as crianças durante o período em que suas mães estivessem estudando.

Brasil do Amanhã

A participação de Matheus Lordelo no Brasil do Amanhã também ampliou o debate sobre a presença da Matemática na primeira infância e sobre como o conhecimento matemático pode ser trabalhado desde os primeiros anos de vida de maneira lúdica e integrada ao cotidiano das crianças.

O podcast é uma iniciativa da Central das Creches do Brasil para discutir temas relacionados à primeira infância, Educação Infantil, desenvolvimento das crianças e políticas públicas, reunindo especialistas e profissionais de diferentes áreas.
A realidade apresentada pelo professor durante o programa dialoga diretamente com uma das principais bandeiras da Central das Creches do Brasil: a defesa da ampliação do acesso à Educação Infantil e da oferta de vagas em creches como uma política capaz de transformar não apenas a vida das crianças, mas de toda a família.

Para a Central, garantir uma vaga na creche significa assegurar à criança o direito ao desenvolvimento, à aprendizagem, à convivência e ao cuidado, ao mesmo tempo em que cria condições para que mães e responsáveis possam estudar, trabalhar e buscar autonomia financeira.
Nesse contexto, a experiência relatada por Lordelo evidencia como a falta de acesso a uma creche pode produzir consequências que atravessam gerações. Quando uma mãe abandona a escola porque não tem onde deixar o filho, a ausência de uma política de atendimento à primeira infância passa a interferir também no direito dessa mulher à educação e na construção de novas oportunidades para a família.

A discussão levantada no Brasil do Amanhã reforça, assim, a defesa da Central de que o investimento em creches precisa ocupar posição estratégica nas políticas públicas de educação e desenvolvimento social. Ampliar vagas, pensar novos modelos de atendimento e considerar as diferentes realidades das famílias são caminhos para garantir direitos às crianças e, simultaneamente, criar oportunidades para que mães possam permanecer na escola e construir novas perspectivas de futuro.

FAQ - Perguntas Frequentes

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