A poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4), a educação ocupa espaço estratégico nos planos apresentados pelos 12 candidatos à Presidência da República. Entre os principais desafios para o próximo governo estão a ampliação das vagas em creches, a alfabetização na idade certa, a permanência dos estudantes nas escolas, a valorização dos profissionais e o fortalecimento da educação pública.
Disputam a Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Romeu Zema (Novo), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Renan Santos (Missão), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Augusto Cury (Avante). As 12 candidaturas foram validadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os programas registrados na Justiça Eleitoral apresentam diferentes caminhos para a educação. Entre as propostas estão a ampliação do ensino em tempo integral, o fortalecimento da alfabetização, a expansão do ensino técnico, mudanças no financiamento educacional, a valorização dos professores e o aumento da oferta de educação infantil.
O plano de Romeu Zema, por exemplo, prevê ampliar vagas em creches e pré-escolas, inclusive por meio de parcerias com instituições privadas e comunitárias, estabelecer parâmetros nacionais de qualidade e integrar as políticas de educação, saúde e assistência social voltadas à primeira infância.
Flávio Bolsonaro propõe priorizar o método fônico na alfabetização, ampliar o ensino técnico e adotar um modelo de financiamento estudantil vinculado à renda. Já Samara Martins defende investimento mínimo de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação pública, erradicação do analfabetismo, revogação do Novo Ensino Médio e criação de uma rede pública de cuidados, com a oferta de creches.
A candidatura de Lula apresenta como prioridades a ampliação do Pé-de-Meia, a expansão do ensino em tempo integral, a valorização das universidades e dos institutos federais e a continuidade das ações voltadas à alfabetização infantil. A proposta anunciada pela campanha é universalizar o Pé-de-Meia para alcançar todos os estudantes do ensino médio da rede pública a partir de 2027.
Para a Central das Creches do Brasil, os planos de governo precisam apresentar metas objetivas para enfrentar a falta de vagas na educação infantil. A entidade defende a construção de 13,5 mil novas creches públicas até 2035, por meio do Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas (PNCB).
A Central também encaminhou uma carta aberta aos candidatos, convidando-os a assumir um compromisso público com a ampliação da educação infantil e a proteção da primeira infância. A proposta é garantir que o tema não apareça apenas nos discursos eleitorais, mas seja incorporado aos planos de governo com orçamento, prazos e mecanismos de acompanhamento.
“Não podemos aceitar que milhões de crianças continuem sem acesso à creche. O próximo presidente precisa apresentar uma meta nacional, garantir os recursos necessários e trabalhar ao lado dos estados e municípios para ampliar as vagas”, afirma o presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston José Silva.
Além de assegurar o direito das crianças ao desenvolvimento integral, a ampliação das creches também contribui para que mães, especialmente as que sustentam sozinhas suas famílias, tenham condições de trabalhar, estudar e conquistar autonomia.
Na reta final da campanha, a Central reforça que educação e primeira infância devem ser tratadas como prioridades nacionais. Para a entidade, os eleitores precisam avaliar não apenas as promessas apresentadas, mas também se os candidatos indicam metas, fontes de financiamento e prazos para transformar os compromissos em políticas públicas.