Entidade questiona capacidade da rede particular para absorver a demanda e cobra planejamento para ampliar o atendimento público
A proposta de concessão de vales para custear vagas em creches particulares, atribuída ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, não será suficiente para atender à demanda por educação infantil, na avaliação da Central das Creches do Brasil. Segundo estimativa da entidade, cerca de 2,5 milhões de crianças de zero a cinco anos estão sem acesso a creches públicas por falta de vagas no país.
O presidente da instituição, Clériston Silva, questiona a capacidade da rede privada de absorver esse público. Para ele, a concessão de um benefício financeiro depende da existência de vagas disponíveis nas localidades onde vivem as famílias que precisam do atendimento.
A crítica da Central é que a proposta, conforme apresentada à entidade, não demonstra como será assegurada a estrutura necessária para receber essas crianças. A instituição cobra informações sobre a distribuição das vagas, os valores do benefício, os critérios de acesso e a fiscalização da qualidade do serviço.
Na avaliação de Clériston, oferecer um vale sem apresentar um levantamento da capacidade de atendimento da rede particular não assegura a solução do déficit. A entidade defende que qualquer medida seja acompanhada de diagnóstico territorial, previsão de recursos e metas verificáveis.
A Central também destaca que a demanda envolve realidades distintas. Enquanto a creche atende crianças de até três anos, a pré-escola corresponde à faixa de quatro e cinco anos. Por isso, sustenta que o planejamento precisa considerar as necessidades de cada etapa da educação infantil.
Como alternativa, a instituição propõe ampliar a rede pública e criar um apoio financeiro temporário às famílias enquanto aguardam uma vaga. A proposta defendida pela Central prevê R$ 950 mensais por criança, além de um adicional de R$ 400 para transporte quando não houver vaga a até 500 metros da residência.
Para a entidade, a resposta à falta de vagas exige compromissos que avancem além da campanha eleitoral. A cobrança é por um plano que detalhe onde as crianças serão atendidas, em quanto tempo e com quais condições de estrutura, segurança e qualidade.