A 12 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, as promessas para a educação seguem presentes na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Entre propostas de ampliação de creches, incentivo à permanência dos estudantes e mudanças na gestão escolar, a Central das Creches do Brasil reforça que vai cobrar do próximo presidente a transformação dos compromissos de campanha em políticas públicas com recursos, prazos e resultados.
O levantamento dos programas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra propostas distintas para enfrentar os desafios educacionais. Enquanto Lula concentra sua agenda na expansão da rede pública e no fortalecimento de programas existentes, Flávio apresenta medidas que incluem vouchers, gestão por resultados e mudanças nas práticas de alfabetização. Ambos incluem a ampliação do acesso à educação infantil em seus compromissos.
No programa de Lula, estão previstas a ampliação de creches, a expansão da educação em tempo integral e ações de valorização e formação de professores. A candidatura também propõe fortalecer o Pé-de-Meia, ampliar o ensino técnico e os Institutos Federais e expandir o acesso ao ensino superior. Na propaganda eleitoral do segundo turno, a campanha destacou investimentos em universidades e institutos federais e a universalização do Pé-de-Meia como estratégia para combater a evasão escolar.
Para a primeira infância, a cobrança precisa acompanhar a execução: quantas vagas serão abertas, em quais municípios, com qual financiamento e em quanto tempo. A construção de unidades deve vir acompanhada das condições necessárias para o funcionamento, incluindo profissionais, alimentação, materiais pedagógicos e manutenção.
No programa de Flávio Bolsonaro, aparecem a ampliação das vagas em creches e a criação do voucher-creche. O documento também prevê vouchers educacionais em situações de falta de vagas na rede pública, alfabetização pelo método fônico, capacitação contínua de professores, escolas cívico-militares e gestão escolar baseada em resultados. Ensino técnico, conectividade e conteúdos relacionados à economia digital também integram a proposta.
O voucher prevê apoio para acesso à rede privada quando não houver vaga pública. A proposta exige esclarecimentos sobre o valor do benefício, os critérios de atendimento, a fiscalização das instituições e a garantia de qualidade. Na propaganda televisiva de abertura do segundo turno, Flávio voltou a apresentar o voucher-creche entre seus compromissos.
A posição da Central das Creches do Brasil é que a educação infantil deve ocupar lugar permanente nas prioridades do governo. A instituição vai cobrar a ampliação do acesso, investimentos na rede pública e condições adequadas de atendimento, independentemente de quem vencer a eleição. O compromisso precisa alcançar as crianças que aguardam uma oportunidade de aprender, conviver e se desenvolver em um ambiente acolhedor.
“Vamos cobrar de quem vencer a eleição o cumprimento das promessas para a educação. Queremos metas claras, orçamento garantido e prazos para ampliar as vagas em creches. As famílias precisam de respostas, e as crianças precisam ter seu direito à educação assegurado desde a primeira infância”, afirma o presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston Silva.
Essa cobrança envolve respostas concretas: qual será a meta anual de novas vagas? Quanto será destinado à educação infantil? Como o governo federal apoiará os municípios? Quais medidas vão assegurar a inclusão de crianças com deficiência e a formação dos profissionais? Como as famílias poderão acompanhar os resultados?
Para a Central, o debate sobre educação também precisa começar antes do ensino fundamental. A atenção à primeira infância deve integrar o planejamento dos próximos quatro anos, com continuidade dos investimentos e acompanhamento público da execução. Promessas de campanha precisam aparecer no orçamento e chegar à rotina das famílias.
A atuação da instituição seguirá voltada à mobilização de gestores e representantes eleitos em defesa do acesso à creche e da valorização da educação infantil. Encerrada a votação, começa uma nova etapa de cobrança: acompanhar o que foi anunciado e exigir que os compromissos assumidos se convertam em vagas, atendimento de qualidade e oportunidades para as crianças brasileiras.