Salvador não pode ser lembrada pelos candidatos à Presidência da República apenas como cenário para grandes mobilizações e conquista de votos. Após os atos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na capital baiana, a Central das Creches do Brasil cobra compromissos concretos com os baianos e os soteropolitanos, especialmente na educação e no atendimento à primeira infância.
Lula participou de uma caminhada no circuito Ondina–Barra em 29 de setembro, ainda no primeiro turno, acompanhado de aliados políticos. Flávio Bolsonaro esteve na cidade neste sábado (17), em uma mobilização do Morro do Cristo ao Farol da Barra. Os dois eventos demonstram a importância de Salvador na disputa presidencial. Para a Central, essa atenção precisa se traduzir em propostas que possam ser acompanhadas e cobradas pela população.
“Salvador não pode servir apenas de palco de campanha, com bandeiras, discursos e pedidos de voto. Quem vem à Bahia buscar o apoio do nosso povo precisa apresentar compromissos com os baianos e os soteropolitanos. Na educação, queremos saber quantas vagas serão criadas, de onde virão os recursos e em quanto tempo as famílias serão atendidas”, afirma o presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston Silva.
A cobrança é dirigida aos dois candidatos. Na avaliação da entidade, a disputa por demonstrações de força política precisa abrir espaço para questões que afetam diariamente as famílias: a falta de vagas em creches, as condições de funcionamento das unidades, a valorização dos profissionais e o acesso à educação infantil com qualidade.
Para a Central, promessas de expansão precisam indicar como o governo federal apoiará os municípios na construção e manutenção de creches. Anunciar obras, sem assegurar recursos para equipes, alimentação e funcionamento, não responde integralmente às necessidades das crianças.
“Não basta anunciar uma creche durante a campanha. É preciso garantir que a obra seja concluída, que a unidade abra as portas e que tenha profissionais valorizados e condições de acolher as crianças. As famílias precisam de atendimento, e não de uma promessa renovada a cada eleição”, ressalta Clériston.
A entidade também defende que os candidatos apresentem metas específicas para a Bahia, considerando as necessidades da capital e dos municípios do interior. A participação das famílias e das organizações que atuam na primeira infância deve integrar a construção dessas propostas, com transparência sobre investimentos, prazos e resultados.
A ausência de atendimento, destaca a Central, afeta toda a organização familiar, sobretudo a rotina das mães que precisam conciliar o cuidado dos filhos com o trabalho e os estudos. Por isso, a ampliação das vagas deve ocupar lugar central no debate sobre educação e enfrentamento das desigualdades.
“O compromisso com a primeira infância não pode terminar quando o candidato desce do palanque. Lula e Flávio precisam dizer como vão enfrentar esse problema e assumir responsabilidades que possam ser cobradas depois das urnas. O voto dos baianos merece respeito, e as nossas crianças precisam ser prioridade no orçamento e nas decisões de governo”, conclui o presidente.