
Um estudo publicado na revista Nature, neste mês de janeiro, comprova que bebês que frequentam creches apresentam um desenvolvimento mais diverso do microbioma intestinal, fator associado a um melhor funcionamento do sistema imunológico e metabólico. A pesquisa indica que o convívio social desde os primeiros meses de vida contribui significativamente para a formação de uma microbiota mais rica e complexa.
De acordo com a pesquisa, uma parcela expressiva do microbioma em desenvolvimento dos bebês passa a ser composta por microrganismos adquiridos no contato com outras crianças na creche, mesmo após apenas um mês de frequência.
Ao longo do primeiro ano, essa troca se intensifica: após quatro meses, bebês que dividiam o mesmo ambiente já compartilhavam entre 15% e 20% das espécies microbianas intestinais.
Especialistas destacam que um microbioma mais diverso nos primeiros anos de vida está associado a melhor regulação do sistema imunológico e do metabolismo, o que pode influenciar positivamente a saúde ao longo da vida.
O microbiologista Nicola Segata, da Universidade de Trento, na Itália, um dos autores do trabalho, afirma que esse percentual supera a quantidade de microrganismos adquiridos desde o nascimento por meio do convívio familiar, pois a transmissão direta de bactérias entre os bebês é ampla e desempenha papel central nesse processo.
Dados do estudo – A pesquisa acompanhou 43 bebês, com idade média de 10 meses, antes, durante e após o primeiro ano de creche na cidade de Trento, no norte da Itália. Amostras de fezes foram coletadas regularmente das crianças, além de material de funcionários da creche, familiares e até animais de estimação que conviviam com os bebês. As análises evidenciaram que a transmissão de microrganismos ocorre intensamente já nas primeiras semanas de convivência coletiva.
Os dados também indicaram que crianças com irmãos apresentaram maior diversidade microbiana geral e adquiriram menos bactérias dos colegas da creche, já que parte significativa da microbiota vinha do convívio doméstico. Além disso, os pesquisadores identificaram trocas de bactérias entre bebês e animais de estimação, um fenômeno observado apenas nas crianças, possivelmente devido a interações mais próximas.
Entre os fatores analisados, o uso de antibióticos teve o impacto mais negativo sobre o microbioma infantil, reduzindo significativamente a diversidade de cepas bacterianas. Ainda assim, o estudo aponta que houve recuperação relativamente rápida, impulsionada pela introdução de novos microrganismos, especialmente no ambiente da creche.
Por: Camila Vieira
