As capitais do Nordeste têm apresentado avanços importantes no acesso à educação infantil, especialmente na oferta de vagas em creches para crianças de 0 a 3 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua 2024) revelam que cidades nordestinas começam a se destacar no ranking nacional de escolarização nessa faixa etária, embora o desafio da universalização do atendimento ainda seja significativo .
Fortaleza aparece como a capital nordestina com melhor desempenho, alcançando taxa de escolarização de 39,1%, figurando entre as dez capitais brasileiras com maior cobertura em creches. Logo em seguida, São Luís (38,1%), Aracaju (37,9%), Natal e Recife (ambas com 36,4%) formam um bloco de capitais que vêm ampliando o acesso, refletindo investimentos recentes em políticas públicas voltadas à primeira infância .
Outras capitais da região também registram índices relevantes, como Maceió (35,8%), João Pessoa (33,8%), Salvador (29,1%) e Teresina (28,2%). Apesar do avanço, os percentuais ainda revelam um déficit expressivo de vagas, sobretudo quando comparados às capitais líderes do ranking nacional, como Vitória (71,2%), São Paulo (68,9%) e Belo Horizonte (59%) .
Para o presidente da Central das Creches do Brasil, Cleriston Silva, os números evidenciam tanto o esforço das gestões municipais quanto a urgência de ampliar o atendimento. “A creche é uma política estruturante. Quando falamos em reduzir o déficit de vagas na educação infantil, estamos falando de garantir direitos às crianças, apoiar as famílias e promover igualdade de oportunidades desde o início da vida”, afirma.
Segundo ele, o Nordeste tem papel estratégico nesse debate nacional. “As capitais nordestinas avançaram, mas ainda há uma demanda reprimida muito grande. É fundamental que União, estados e municípios atuem de forma integrada para ampliar a rede de creches, com qualidade, infraestrutura adequada e profissionais valorizados”, destaca Cleriston Silva.
No panorama nacional, os dados mostram uma grande desigualdade regional. Enquanto algumas capitais do Sudeste e do Sul superam 50% de escolarização em creches, cidades das regiões Norte e parte do Nordeste ainda enfrentam taxas abaixo de 30%, como Belém (22,2%), Manaus (14,8%) e Macapá, que registra apenas 4,2% .
Especialistas apontam que ampliar o acesso às creches é fundamental não apenas para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças, mas também para a inclusão produtiva das famílias, especialmente das mulheres no mercado de trabalho. Nesse contexto, os avanços observados nas capitais do Nordeste sinalizam um caminho positivo, ainda que o desafio da universalização da educação infantil siga como uma das principais agendas sociais do país.
