
Na manhã do dia 23 de setembro, o auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG), em Belo Horizonte, foi palco de um evento histórico para a educação infantil. A Central das Creches do Brasil firmou um importante convênio e assinou quase 50 ordens de serviço para o início das obras de sondagem, topografia e preparação do solo que irão viabilizar a construção de creches públicas nos padrões FNDE em diferentes municípios mineiros.
O ato solene contou com a presença do presidente da Central, Cleriston Silva, da diretora-geral da entidade em Minas Gerais, além de dezenas de prefeitos, secretários de educação, empresários e assessores municipais. Também estiveram presentes o presidente do CREA-MG, Engenheiro Marcos, a deputada estadual Ana Paula, integrante da Comissão da Mulher e da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que representou o parlamento mineiro na cerimônia.
Durante a solenidade, o representante do CREA destacou que o conselho irá assinar um convênio próprio e acompanhar o início, meio e fim da execução das obras, garantindo segurança e qualidade técnica para atender os 853 municípios de Minas Gerais.

“Cada convênio assinado é um passo firme rumo à transformação social. Nosso desafio é enorme, mas acreditamos que juntos poderemos zerar o déficit de vagas e oferecer às crianças brasileiras o direito a um futuro melhor”, afirmou Cleriston Silva, presidente da Central das Creches do Brasil.
Experiência pessoal e a importância das creches
A prefeita Elbe Figueiredo Brandão, ex-deputada estadual, emocionou os presentes ao compartilhar sua história de vida. Em 1998, quando teve sua filha, só pôde contar com 10 dias de licença, sendo obrigada a retornar imediatamente às atividades legislativas, sob pena de perder o mandato caso faltasse a seis sessões.
Ela relembrou as dificuldades enfrentadas como mãe e parlamentar, destacando que, naquela época, mulheres em situação de vulnerabilidade não tinham qualquer condição de arcar com uma creche particular. Para muitas, isso significava escolher entre trabalhar e cuidar dos filhos — um dilema cruel que expunha as desigualdades sociais do país.
A prefeita ressaltou ainda que as novas creches previstas para Nova Porteirinha não estarão restritas às áreas urbanas: elas alcançarão também comunidades rurais, quilombolas e indígenas, garantindo acesso à educação infantil de qualidade a crianças que vivem nas regiões mais distantes e historicamente negligenciadas pelo poder público.
Para ela, a chegada dessas creches representa muito mais que obras de concreto: é um ato de justiça social, que garante dignidade e oportunidade para mães e crianças.
“Essas creches não são apenas prédios. São portas abertas para que as mães possam trabalhar com tranquilidade e para que nossas crianças — da cidade, da zona rural, dos quilombos e das comunidades indígenas — tenham acesso ao cuidado e à educação que merecem”, destacou emocionada.
Um movimento que cresce em todo o Brasil
Atuando em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, a Central das Creches do Brasil mantém sua meta de zerar o déficit de mais de 2,3 milhões de vagas em creches públicas até 2035, por meio da construção de 13.500 novas unidades em parceria com municípios, governos estaduais e instituições técnicas.
A assinatura no CREA-MG reforça que esse movimento é coletivo e envolve diferentes setores da sociedade. Minas Gerais, que já recebeu a autorização para dezenas de obras, será protagonista nesse processo de transformação social, levando esperança, dignidade e oportunidades para milhares de famílias.












