A Central das Creches do Brasil exige do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva compromisso com o cumprimento das metas propostas no Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas (PNCB), defendido pela entidade, para enfrentar um déficit que, segundo estimativa da instituição, atinge 2,5 milhões de crianças no Brasil. A proposta prevê a construção de 13.500 novas creches públicas até 2035 e busca apoio federal para transformar essa meta em atendimento às famílias.
Para a Central, enfrentar esse cenário exige investimentos contínuos, construção de unidades e apoio aos municípios para garantir o funcionamento dos equipamentos. A cobrança inclui prazos e divulgação dos resultados, com informações sobre filas de espera, obras em andamento e previsão de abertura de vagas.
“Estamos falando de 2,5 milhões de crianças que, segundo o levantamento da Central, precisam de acesso à creche pública. Cada criança que espera por uma vaga tem uma história e uma família que precisa de resposta. Cobramos do presidente Lula uma política pública com orçamento, prazo e compromisso com a entrega”, afirma Clériston José Silva, presidente da Central das Creches do Brasil.
A entidade defende que o PNCB seja discutido com o governo federal e incorporado às estratégias de expansão da educação infantil. Para isso, solicita uma audiência com Lula para apresentar a proposta e discutir financiamento e cooperação entre União, estados e municípios.
“Construir a creche é uma etapa. Precisamos garantir que ela abra as portas, tenha profissionais qualificados e ofereça acolhimento e educação de qualidade. O compromisso deve ser com a vaga funcionando e a criança sendo atendida”, destaca Clériston.
A cobrança também acompanha as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê atender toda a demanda manifestada por creches e alcançar, no mínimo, 60% das crianças de até 3 anos até o fim de sua vigência, além de universalizar a pré-escola para crianças de 4 e 5 anos.
Para a Central, cumprir essas metas exige recursos tanto para construir quanto para manter as unidades, incluindo contratação e valorização dos profissionais, alimentação, materiais pedagógicos e manutenção.
O governo federal mantém iniciativas de expansão da infraestrutura educacional pelo Novo PAC. Na seleção de 2025, por exemplo, foi anunciada a construção de 500 novas creches. A instituição cobra acompanhamento público da execução para que os investimentos se convertam em vagas disponíveis.
Outro instrumento é a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, instituída pelo Decreto nº 12.574, de agosto de 2025, que articula áreas como educação, saúde e assistência social. A Central defende que essa integração alcance os territórios e priorize as famílias em situação de maior vulnerabilidade.
A entidade ressalta que o acesso à creche é um direito da criança e um apoio fundamental à organização das famílias. A ausência de vagas compromete a rotina de quem cuida e pode dificultar a permanência das mães no mercado de trabalho.
“O governo Lula precisa colocar a falta de creches entre as prioridades do país. A primeira infância não pode continuar esperando. Investir nessa etapa é garantir direitos agora e criar melhores condições para o futuro das crianças e de suas famílias”, reforça Clériston.