A falta de vagas em creches públicas preocupa prefeitos de todo o país e deixa 2,5 milhões de crianças de zero a cinco anos sem atendimento, segundo estimativa atualizada da Central das Creches do Brasil. A entidade cobra dos candidatos à Presidência compromissos para ampliar a oferta de educação infantil.
Entre as medidas em debate está o voucher-creche previsto no plano de governo de Flávio Bolsonaro. O documento propõe que as famílias usem o benefício em instituições privadas credenciadas quando não houver vaga na rede pública, até que uma vaga pública esteja disponível.
Com base na estimativa da Central de R$ 950 mensais por vaga, atender 2,5 milhões de crianças custaria R$ 2,375 bilhões por mês — ou R$ 28,5 bilhões por ano. A conta considera um benefício mensal nesse valor para todas as crianças durante 12 meses. O plano consultado não informa o valor do voucher; portanto, trata-se de uma estimativa da Central, e não do custo oficial anunciado pela campanha.
Para o presidente da entidade, Clériston José Silva, a transferência de recursos para a rede privada não substitui a ampliação permanente da oferta pública. “O voucher pode atender famílias enquanto a vaga pública não chega, mas é preciso enfrentar a causa do problema: a falta de creches. O país precisa de um plano contínuo para ampliar a rede pública e garantir o direito das crianças à educação infantil”, afirma. (Sugestão de fala para validação do presidente.)
A Central apresenta o Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas (PNCB) como alternativa para expandir a rede pública. A entidade afirma que o programa prevê a construção de 13,5 mil creches até 2035 e diz aguardar a proposta de Lula para comparar as medidas e se posicionar sobre o caminho que considerar mais viável para as famílias brasileiras.