Entidade defende que compromissos eleitorais sejam acompanhados de orçamento, prazos e estrutura para atender crianças e apoiar suas famílias
As propostas do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) colocam em debate a estrutura necessária para garantir inclusão desde a primeira infância. Diante dos compromissos apresentados, a Central das Creches do Brasil reforça a cobrança por ampliação de vagas, preparação das escolas e definição de metas que permitam acompanhar a execução das políticas públicas.
Entre as medidas previstas no programa do candidato está a implantação de Centros de Referência em TEA. Em resposta à Folha de S.Paulo, a campanha explicou que pretende ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, às terapias e ao acompanhamento próximo às famílias. Informou também que o detalhamento das metas seria elaborado durante a transição de governo, com base em um diagnóstico da rede existente.
No campo educacional, o material de campanha apresentado à reportagem menciona salas sensoriais nas instituições de ensino e suporte à saúde mental dos professores. A proposta traz para a discussão as condições de acolhimento dos estudantes autistas e a necessidade de oferecer apoio aos profissionais responsáveis pelo cotidiano escolar.
Para a Central, essas iniciativas precisam integrar uma política mais ampla de educação infantil. A cobrança envolve tanto a disponibilidade de vagas quanto as condições de permanência e aprendizagem: professores com formação adequada, recursos pedagógicos acessíveis e articulação entre escola, família e serviços de atendimento.
O presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston Silva, tem cobrado dos candidatos compromissos concretos com a primeira infância. A posição defendida pela entidade é que as promessas sejam acompanhadas de previsão de recursos, cronograma de implantação e responsabilidades definidas entre União, estados e municípios.
Outro ponto do programa de Flávio Bolsonaro é a estruturação de uma Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar em parceria com governos locais e organizações sociais. A medida busca oferecer suporte às famílias responsáveis pelo cuidado de pessoas com deficiência. Segundo análise publicada pelo Jornal A Bigorna, a proposta de centros de referência não apresenta número de unidades, distribuição territorial, orçamento específico ou prazo de implantação.
A atenção às chamadas mães atípicas também precisa se conectar ao acesso à educação. Para a Central, garantir uma vaga e uma estrutura escolar preparada contribui para o desenvolvimento da criança e para que mães e outros responsáveis possam trabalhar, estudar e organizar sua rotina de cuidados.
A entidade reforça que a inclusão deve começar nas creches e continuar ao longo da trajetória escolar. Sua cobrança aos candidatos é transformar os compromissos eleitorais em serviços acessíveis nos municípios, com transparência sobre investimentos e resultados para as crianças e suas famílias.