As fortes chuvas que atingem Minas Gerais neste início de março de 2026 já provocam decretos de situação de emergência em diversos municípios, afetando diretamente comunidades vulneráveis e, de forma ainda mais sensível, a educação infantil. A suspensão das aulas em CEMEIs e creches municipais ocorre por risco estrutural, alagamentos e decisões preventivas. Muitas unidades foram adaptadas como abrigos temporários para famílias desabrigadas — medida necessária, mas que transforma o espaço pedagógico em cenário de crise. Diante da situação, a Central das Creches do Brasil reforça a importância da mobilização institucional e da criação de redes de apoio que assegurem que nenhuma criança tenha seu desenvolvimento interrompido.
Além da interrupção do aprendizado, há riscos sanitários como leptospirose, hepatite A e gastroenterites, especialmente perigosos para crianças de 0 a 6 anos. A necessidade de vistorias técnicas e desinfecção pode prolongar o fechamento das unidades. Especialistas alertam para o chamado estresse tóxico, impacto emocional que pode gerar regressões no desenvolvimento, alterações no sono e medo excessivo de chuvas e trovões. Educadores passam a desempenhar também papel de suporte emocional. Outro ponto crítico é a segurança alimentar.
Para muitas crianças da rede pública, a merenda escolar representa uma das principais refeições do dia. Com a suspensão das aulas, a insegurança alimentar se agrava. A reconstrução precisa ir além da infraestrutura urbana. É fundamental garantir limpeza adequada das unidades, apoio psicológico contínuo e políticas públicas que protejam a primeira infância em situações de desastre climático.
