Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua 2024) escancaram um desafio histórico da educação infantil no Brasil: a baixa oferta de vagas em creches nas capitais que ocupam as últimas posições do ranking nacional de escolarização de crianças de 0 a 3 anos. Entre as cidades com os piores indicadores estão Macapá, que registra apenas 4,2% de taxa de escolarização em creches, Porto Velho (14,3%) e Manaus (14,8%). O cenário se repete em outras capitais das regiões Norte e Nordeste, como Rio Branco (21%), Belém (22,2%), Boa Vista (27,5%) e Teresina (28,2%), evidenciando uma desigualdade regional profunda no acesso à primeira etapa da educação básica .
Salvador, com 29,1%, e Goiânia, com 28,8%, também aparecem entre as capitais que demandam maior atenção do poder público. Mesmo com avanços pontuais nos últimos anos, os índices ainda estão muito abaixo das capitais líderes do ranking, como Vitória (71,2%), São Paulo (68,9%) e Belo Horizonte (59%) .
Para o presidente da Central das Creches do Brasil, Cleriston Silva, os números devem servir de alerta para gestores públicos. “Quando uma capital tem menos de 30% das crianças atendidas em creches, isso não é apenas um dado educacional, é um indicador social. Estamos falando de crianças que deixam de ter estímulos essenciais e de famílias que ficam sem apoio para trabalhar e garantir renda”, ressalta.
Cleriston destaca que o investimento em creches precisa ser tratado como prioridade estratégica. “Ampliar vagas em creches não pode ser visto como gasto, mas como investimento no futuro das cidades. Onde há creche, há mais desenvolvimento social, redução de desigualdades e melhores perspectivas para essas crianças ao longo da vida”, afirma.
O levantamento reforça que o Brasil ainda convive com realidades muito distintas dentro do próprio território. Enquanto algumas capitais já caminham para níveis mais próximos da universalização do atendimento, outras ainda enfrentam déficits estruturais, seja por falta de unidades, de profissionais qualificados ou de financiamento adequado.
Especialistas apontam que superar esse cenário exige políticas públicas consistentes, planejamento de longo prazo e cooperação entre União, estados e municípios. A expansão da rede de creches, especialmente nas capitais que figuram nas últimas posições do ranking, é considerada fundamental para garantir o direito à educação infantil e promover maior equidade social no país.
