Educação infantil para um futuro melhor.

Douglas Pithon defende escola como estratégia para evitar recrutamento de jovens pelo crime organizado

O fortalecimento da educação e a ampliação do tempo de permanência de crianças e adolescentes nas escolas podem ser instrumentos para reduzir a vulnerabilidade social e dificultar o recrutamento de jovens pelo crime organizado. A avaliação é de Douglas Pithon, que participou do podcast Brasil do Amanhã, da Central das Creches do Brasil, e defendeu uma atuação integrada entre educação, segurança pública e outras áreas do Estado no enfrentamento à violência.

Durante a entrevista, Pithon argumentou que a segurança pública não deve ser tratada apenas a partir da atuação policial. Para ele, a prevenção precisa começar na família e alcançar os ambientes educacionais, principalmente nos territórios socialmente mais vulneráveis.

“É essencialmente uma interoperabilidade entre as secretarias de governo para resolver o problema da violência e da segurança da sociedade. E vai começar na base, vai começar na família, porque a educação também é família, e, sobretudo, nos ambientes escolares”, afirmou.

Pithon defendeu a criação de uma política pública permanente para ampliar o período em que crianças e adolescentes permanecem nas escolas. Além da educação básica, segundo ele, esses espaços poderiam oferecer atividades de qualificação, tecnologia, esporte e cultura, criando novas perspectivas para os jovens.

“Eu acho que é lançar esforço em criar uma política pública permanente para que as crianças permaneçam mais tempo nas escolas e que você possa oferecer, dentro desses ambientes, além da educação básica, a possibilidade de ela se inserir no mercado de trabalho, de poder se desenvolver aprendendo, por exemplo, logística, tecnologia, praticando esporte ou alguma atividade relacionada à cultura”, declarou.

Na avaliação de Pithon, a ausência de oportunidades e de uma presença mais ampla do poder público aumenta a exposição de crianças e adolescentes ao recrutamento por organizações criminosas, sobretudo em áreas socialmente vulneráveis de Salvador e da Região Metropolitana.

“O que eu percebo na evolução do crime, nesse domínio de território que a gente vê aqui na Bahia, é a possibilidade que eles têm de recrutar esses jovens vulneráveis porque não existe uma presença do Estado que os tire da vulnerabilidade. Então, eles são extremamente vulneráveis, dependentes e facilmente cooptados”, disse.

Ele também afirmou que, em determinadas comunidades, a polícia acaba sendo uma das principais representações do poder público presentes no território, geralmente acionada para responder a situações de conflito. Para Pithon, a prevenção exige que essa presença estatal seja ampliada por meio de educação, formação profissional, esporte, cultura e outras políticas sociais.

Outro ponto abordado foi a integração entre diferentes estruturas de segurança. Pithon citou experiências de monitoramento realizado por empresas privadas em áreas de Salvador e defendeu que iniciativas envolvendo o setor privado e as forças policiais façam parte de uma política pública estruturada.

A participação de Pithon integra a série de entrevistas promovida pela Central das Creches do Brasil no podcast Brasil do Amanhã, que vem abrindo espaço para o debate sobre Educação Infantil, primeira infância e políticas públicas. No período eleitoral, a entidade também busca ampliar a discussão sobre os compromissos dos candidatos com as crianças, as famílias e a expansão do acesso às creches.

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