A Central das Creches do Brasil cobra uma audiência imediata com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar e discutir o Programa Nacional de Combate à Falta de Vaga em Creche Pública (PNCB). O presidente da entidade, Clériston José Silva, defende que a reunião aconteça ainda neste ano e resulte em apoio federal para viabilizar o início de pelo menos 1.200 obras de creches públicas pelo país até dezembro.
A cobrança ocorre após a reeleição de Lula e suas declarações sobre ampliar o diálogo com a população. Para Clériston, essa disposição precisa se traduzir em espaço na agenda presidencial para discutir a falta de vagas na educação infantil.
“Se o presidente vai ouvir todos os setores, queremos que o setor das creches esteja entre as primeiras prioridades. Estamos falando de uma crise que permanece invisível para muita gente, mas que atinge diariamente crianças e famílias. Precisamos de uma audiência ainda neste ano para apresentar o PNCB e discutir os apoios necessários para tirar as obras do papel”, afirma.
Segundo a Central, mais de 3.800 empresários associados à entidade aguardam condições para participar da construção das unidades. A instituição informa que são empresas qualificadas, com equipes técnicas capacitadas, e que mais de 2 mil terrenos já foram disponibilizados oficialmente por prefeituras para a implantação de creches.
Ainda conforme a entidade, centenas desses terrenos já tiveram os serviços de terraplanagem iniciados. Clériston argumenta que a mobilização dos municípios e dos empresários precisa ser acompanhada de uma atuação efetiva do governo federal para ampliar as possibilidades de financiamento e execução.
“As prefeituras têm colaborado, disponibilizando terrenos e investindo na preparação dessas áreas. Os empresários também estão mobilizados e têm investido nessa iniciativa. Agora, cobramos o apoio do governo federal para fortalecer essa articulação, envolver construtoras e fundos doadores de recursos e viabilizar o início de pelo menos 1.200 obras ainda em 2026”, declara.
Pedido será formalizado nesta semana
Clériston informa que vai formalizar, ainda nesta semana, o pedido de audiência com Lula. A Central solicitará a intermediação de Rui Costa, Jaques Wagner e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, para que o encontro aconteça com urgência.
“Pedimos que Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues intercedam imediatamente para que essa agenda aconteça o mais breve possível. O compromisso dos eleitos com a educação precisa aparecer em decisões, recursos e obras. As crianças não podem continuar esperando”, cobra.
A entidade defende que o encontro estabeleça encaminhamentos concretos para o PNCB, com discussão sobre financiamento, participação dos diferentes setores e cronograma de implantação das unidades. O objetivo é avançar na execução do programa, cuja conclusão é defendida pela Central até o fim de 2035.
De acordo com estimativa da Central das Creches do Brasil, mais de 2,5 milhões de crianças de zero a cinco anos estão fora das creches públicas por falta de vagas no país. Para Salvador, a instituição aponta a necessidade de construir 230 unidades até 2035 para superar o déficit identificado pela entidade.
Clériston também cobra do governador Jerônimo Rodrigues uma atuação prioritária na capital baiana, com articulação entre os governos estadual, municipal e federal.
“O governador tem o compromisso de ajudar a mudar essa realidade em Salvador. Nossa estimativa é de que a capital precisa de 230 novas creches. Vamos cobrar, acompanhar e buscar o apoio dos representantes da Bahia junto ao governo federal para que essa necessidade se transforme em atendimento às famílias”, ressalta.
Para o presidente da Central, o período que começa após as eleições deve ser marcado pela transformação das promessas em ações verificáveis. A entidade afirma que acompanhará os encaminhamentos do pedido de audiência e os compromissos assumidos com a expansão da rede pública.
“Daqui a quatro anos, quando o Brasil voltar a escolher o presidente da República, queremos encontrar outra realidade na educação infantil. Não podemos chegar à próxima eleição repetindo a mesma denúncia e vendo famílias sem resposta. O PNCB precisa avançar agora para que sua meta seja realizada até 2035”, conclui.