Expressões como “betinha”, “sigma” e outras gírias populares nas redes sociais têm ultrapassado o ambiente virtual e chegado às salas de aula brasileiras. Embora muitas crianças e adolescentes utilizem esses termos como parte de brincadeiras ou memes, especialistas em educação e segurança digital alertam que essas palavras carregam significados ligados à misoginia e à disseminação de discursos que reforçam a desigualdade entre homens e mulheres.
O vocabulário tem origem em comunidades conhecidas como “machosfera”, grupos presentes na internet que propagam ideias de superioridade masculina e desvalorização das mulheres. Entre as expressões mais difundidas está “betinha”, utilizada para ridicularizar homens considerados frágeis ou submissos, em oposição ao chamado “homem alfa”, associado à força, liderança e domínio. Com o tempo, essas classificações passaram a circular em vídeos, memes e publicações compartilhadas por milhões de usuários, alcançando também o público infantil.
Para educadores, o principal desafio é que muitos estudantes reproduzem essas expressões sem compreender sua origem ou o impacto que elas podem causar. Ainda assim, especialistas ressaltam que a repetição constante desse tipo de linguagem pode contribuir para normalizar comportamentos discriminatórios e reforçar estereótipos de gênero desde a infância.
A preocupação cresce à medida que crianças têm acesso cada vez mais cedo às redes sociais. Nesse cenário, conteúdos apresentados como humor ou entretenimento podem servir de porta de entrada para discursos de intolerância e preconceito, muitas vezes de forma sutil. Psicólogos e pesquisadores apontam que o humor, quando utilizado para mascarar mensagens ofensivas, pode facilitar a aceitação e a naturalização dessas ideias entre os jovens.
Diante desse cenário, escolas têm buscado incluir o tema nas discussões em sala de aula, promovendo atividades voltadas para o respeito, a convivência e o uso consciente das plataformas digitais. O objetivo é desenvolver o pensamento crítico dos estudantes para que eles sejam capazes de reconhecer conteúdos que estimulam a discriminação e compreender as consequências de reproduzir esse tipo de comportamento.
A participação das famílias também é considerada fundamental. O acompanhamento da rotina digital, o diálogo aberto sobre o conteúdo consumido na internet e a orientação sobre respeito às diferenças são apontados como estratégias importantes para prevenir a disseminação de discursos de ódio entre crianças e adolescentes.
Para especialistas, a educação digital deve caminhar ao lado da formação cidadã. Ensinar crianças e jovens a interpretar criticamente o que circula nas redes sociais é uma das principais formas de fortalecer valores como empatia, igualdade e respeito, contribuindo para a construção de ambientes escolares mais seguros, inclusivos e livres de violência.