“Eu construí meu próprio brinquedo e o chamei de ‘Zooza’. Ele ficará comigo depois que formos embora.” — Zahraa, 7 anos
Para Zahraa, um pequeno brinquedo feito à mão tornou-se algo a que ela podia se apegar para além das paredes do abrigo coletivo onde vive atualmente. Como muitas crianças afetadas pelo deslocamento, ela precisava de mais do que um lugar temporário para ficar; precisava de um espaço para se expressar, sentir-se ouvida e reconectar-se com uma sensação de segurança e normalidade.
Em todo o Líbano, crianças e jovens continuam a enfrentar o impacto emocional do deslocamento. Embora garantir o acesso à educação permaneça essencial, a recuperação também significa atender às suas necessidades de saúde mental e psicossociais — criando espaços onde possam processar suas experiências, reconstruir conexões e recuperar a confiança.
Para responder a essas necessidades, a UNESCO, por meio do Programa Plurianual de Resiliência (MYRP), financiado pela Educação Não Pode Esperar (ECW) e em parceria com a ONG Tree House, implementou um programa de apoio psicossocial e de saúde mental através da arte, alcançando mais de 1.500 crianças e jovens em 25 abrigos coletivos em todo o Líbano.
Por meio de sessões criativas conduzidas por artistas e psicólogos, as crianças foram incentivadas a se expressar através do desenho, da contação de histórias, da música e da brincadeira. As atividades proporcionaram um espaço seguro onde elas puderam compartilhar suas emoções, medos, memórias e esperanças, ao mesmo tempo que fortaleceram os laços sociais e o senso de pertencimento.
Os desenhos das crianças revelaram histórias comoventes. Quando convidadas a desenhar o que lhes viesse à mente, muitas escolheram desenhar suas casas, refletindo os lugares de que sentem falta e a segurança que esses lugares representam. Outras desenharam suas famílias, mostrando a importância da conexão e da união em um momento de incerteza.
Além do desenho, as crianças expressaram a necessidade de simplesmente voltarem a ser crianças: queriam brincar, cantar e usar suas vozes livremente. Esses momentos de criatividade e interação as ajudaram a reconstruir a autoconfiança, expressar emoções e vivenciar uma sensação de normalidade, apesar do deslocamento.
Para crianças afetadas por crises, a recuperação vai além do restabelecimento do acesso às salas de aula. Requer também o apoio ao seu bem-estar emocional e o fortalecimento da sua capacidade de lidar com mudanças e incertezas. A Aprendizagem Socioemocional (ASE) é uma parte fundamental dessa jornada, ajudando as crianças a desenvolver resiliência, fortalecer relacionamentos e se preparar para a transição de volta aos ambientes de aprendizagem regulares.
Como parte do Plano de Ação de Resposta a Emergências da UNESCO, esta iniciativa reflete o compromisso da UNESCO em garantir que a saúde mental e o apoio psicossocial permaneçam no centro da recuperação da educação, apoiando alunos e comunidades a se curarem, reconstruírem e seguirem em frente com esperança.
Com informações da UNESCO.