O Campus Salvador do Instituto Federal da Bahia (IFBA) deu início, no último dia 3 de junho, à primeira turma da formação em Letramento Racial e Combate ao Racismo. A atividade integra o Programa Campus Salvador Antirracista: Tecendo Redes de Afirmação, Equidade e Reparação, lançado oficialmente em maio deste ano, e marca o começo de uma série de ações voltadas à promoção da equidade racial dentro da instituição.
Durante a abertura, a diretora-geral do Campus Salvador, Luanda Kívia Rodrigues, destacou que a criação do programa já fazia parte dos planos da atual gestão desde o início do mandato. Segundo ela, apesar das dificuldades enfrentadas para estruturar a iniciativa, a parceria firmada com o Ministério da Saúde possibilitou a formação de uma equipe responsável por colocar o projeto em prática.
A gestora também reforçou que o combate ao racismo precisa fazer parte da rotina institucional e não se limitar às ações realizadas durante o mês da Consciência Negra. Para ela, é fundamental que a formação antirracista esteja presente ao longo de todo o ano, especialmente nos processos educativos.
Coordenado pelo Gabinete da Diretoria-Geral e gerenciado pela Coordenação Adjunta de Ações Afirmativas e Relações Étnico-Raciais, vinculada ao Programa Nacional de Formação Técnica para o SUS (Formatec-SUS), o Programa Campus Salvador Antirracista busca consolidar políticas permanentes de enfrentamento ao racismo estrutural, integrando ações nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e saúde.
A assessora do Gabinete da Diretoria-Geral, Iara Barreto, explicou que o projeto começou a ser elaborado em janeiro e foi apresentado oficialmente durante o lançamento do programa, realizado em 26 de maio.
A formação contou ainda com a participação das assessoras da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi), Ubiraci Matildes de Jesus e Taine Azevedo, que atuam na construção e implementação de políticas públicas voltadas à igualdade racial no estado.
Durante sua participação, Ubiraci destacou que o racismo ainda está presente nas estruturas sociais e institucionais do país, tornando essencial a realização de formações que promovam uma reflexão crítica sobre o tema. Ela ressaltou a importância de incluir o debate racial nos currículos e nos processos formativos, lembrando que essa discussão também é indispensável na área da saúde, onde as desigualdades raciais continuam impactando o atendimento e as condições de vida da população.
Já Taine Azevedo elogiou a iniciativa do IFBA e destacou a importância da parceria entre a instituição e a Sepromi. Segundo ela, a integração entre os setores da educação e da saúde fortalece as políticas públicas de promoção da igualdade racial e amplia a capacidade das escolas de atuarem como espaços de acolhimento, cuidado e transformação social.