O presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston Silva, reforça que a educação infantil não pode ser apenas bandeira eleitoral e cobra dos candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, compromissos concretos para enfrentar a falta de vagas. Segundo estimativa atualizada da entidade, 2,5 milhões de crianças de zero a cinco anos estão fora das creches públicas por falta de atendimento. A instituição defende que as propostas apresentem metas de expansão, fontes de financiamento e prazos de execução.
Para a Central, a discussão precisa considerar a realidade das famílias que aguardam uma vaga e os impactos dessa espera no desenvolvimento infantil e na rotina das mães que precisam trabalhar. A cobrança é que os anúncios de campanha se transformem em políticas permanentes, com capacidade de ampliar o atendimento público e garantir qualidade nos espaços destinados às crianças.
“A Central das Creches do Brasil é uma instituição apartidária”, afirma Clériston. O dirigente ressalta que a entidade está disponível para dialogar com as duas candidaturas e apresentar caminhos para ampliar o acesso à educação infantil.
O que propõem os candidatos
Flávio Bolsonaro propõe ampliar a oferta de creches em período integral, com alimentação e foco no desenvolvimento infantil. Seu programa também prevê um voucher-creche para que as famílias tenham acesso a instituições privadas credenciadas quando não houver vaga na rede pública, até que o atendimento público esteja disponível.
A Central questiona como esse benefício seria executado e cobra esclarecimentos sobre o valor, o financiamento, a quantidade de vagas disponíveis e a distribuição das instituições que poderiam receber as crianças. Para Clériston, é necessário demonstrar a capacidade de atendimento da rede privada e estabelecer critérios de qualidade e fiscalização. A entidade considera que o auxílio, por si só, não resolve a insuficiência de vagas públicas.
Lula, por sua vez, propõe uma segunda edição do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com ampliação do apoio a estados e municípios para alcançar as metas do Plano Nacional de Educação. Na área educacional, seu programa também prevê expansão do ensino em tempo integral, com recursos do Fundeb e do Novo PAC, e apoio à formação de professores.
A cobrança da Central também se dirige à candidatura de Lula. A instituição quer que os compromissos gerais com a educação sejam acompanhados de medidas específicas para enfrentar a demanda por creches. Segundo Clériston, nenhuma das duas campanhas havia estabelecido, até a manifestação divulgada pela entidade na terça-feira (13), o diálogo técnico pretendido pela instituição sobre suas propostas.
Expansão da rede pública
Como alternativa para enfrentar o problema, a Central apresenta o Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas (PNCB), cuja meta é construir 13.500 novas unidades nos 26 estados e no Distrito Federal até 2035. A proposta busca ampliar de forma permanente a estrutura de atendimento à primeira infância.
A entidade defende que o compromisso com as crianças continue depois das eleições. Para a Central, tratar a educação infantil como prioridade exige orçamento, planejamento e acompanhamento dos resultados, para que as famílias tenham acesso a vagas e as promessas se traduzam em atendimento.