A Central das Creches do Brasil criticou, nesta terça-feira (13), a proposta de vale-creche apresentada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e cobrou critérios técnicos, definição de financiamento e planejamento para enfrentar a falta de vagas na educação infantil. Segundo o presidente da instituição, Clériston Silva, a medida é genérica e não demonstra como atenderia à demanda que a entidade estima em 2,5 milhões de crianças de zero a cinco anos fora das creches públicas por falta de vagas.
O vale-creche, também chamado de voucher, prevê auxílio para que famílias paguem mensalidades em instituições privadas. A proposta consta no programa de governo do candidato, conforme levantamento da Agência Brasil. Para a Central, entretanto, a apresentação da medida precisa esclarecer quantas vagas estariam disponíveis, onde seriam ofertadas e quais recursos sustentariam o atendimento.
“Trata-se de uma proposta 100% genérica, sem nenhum critério técnico. O candidato precisa ouvir os especialistas para apresentar uma proposta séria e honesta às mães, às crianças e à população brasileira”, afirma Clériston.
O presidente questiona a capacidade da rede privada de absorver as crianças que aguardam atendimento público e cobra explicações sobre o orçamento necessário para viabilizar o benefício. Na avaliação dele, anunciar um auxílio sem demonstrar a existência de vagas e as condições de funcionamento não resolve o problema enfrentado pelas famílias.
Tentativas de diálogo
Clériston relata que a Central procurou a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro para apresentar suas propostas. Segundo ele, um integrante da equipe de marketing teria informado que o programa eleitoral contemplaria apenas propostas de pessoas ou instituições que apoiaram o candidato no primeiro turno.
O dirigente também afirma que, durante a primeira etapa da eleição, buscou interlocução por meio de João Roma, mas não obteve o encaminhamento esperado para a pauta das creches. Os relatos sobre esses contatos são apresentados pela entidade.
“A Central das Creches do Brasil é uma instituição apartidária. Apresenta propostas, mas não participa de campanha de esquerda ou de direita. Nosso compromisso é com a defesa e a garantia do direito à educação infantil”, ressalta.
A cobrança também se dirige à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Clériston, nenhum dos dois lados estabeleceu, até o momento, o diálogo técnico pretendido pela instituição sobre suas propostas para ampliar o acesso às creches públicas.
“Estamos à disposição tanto da equipe de Flávio Bolsonaro quanto da equipe de Lula. Quem assumir uma proposta consistente terá esse compromisso reconhecido pela Central. O nosso foco são as crianças e as famílias brasileiras”, declara.
Proposta de expansão
Como alternativa, a Central apresenta o PNCB — Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas —, cuja meta é construir 13.500 novas unidades nos 26 estados e no Distrito Federal até o final de 2035.
Segundo o presidente, o programa reúne articulações com prefeituras e parceiros do setor privado nacional e internacional. Ele informa que há iniciativas em diferentes etapas, incluindo disponibilização de terrenos, sondagem e terraplanagem.
Para Clériston, a ampliação da rede pública representa uma reparação social, ao garantir espaços adequados ao desenvolvimento infantil e apoiar mães que precisam trabalhar e organizar a rotina familiar.
“As mães precisam de um local adequado e seguro para deixar suas crianças. A Central continuará cobrando e mostrando caminhos para que a educação infantil seja tratada com responsabilidade, conhecimento técnico e compromisso com a população”, afirma.