Um novo levantamento divulgado revelou avanços importantes na educação infantil brasileira, especialmente nas áreas de linguagem, leitura e cultura escrita. Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que ainda existem desafios relacionados à infraestrutura das escolas, formação de professores e desigualdades no acesso à educação de qualidade.
A pesquisa “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública”, realizada pelo Itaú Social em parceria com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), ouviu mais de 2,7 mil redes municipais de ensino em todo o país. O estudo mostra que 76% dos municípios já desenvolvem práticas voltadas ao letramento e à linguagem na primeira infância. Quando o assunto é matemática, o número cai para 48%.
Os dados reforçam a importância da educação infantil como base para toda a trajetória escolar das crianças. Para especialistas da área, investir nos primeiros anos de aprendizagem impacta diretamente no desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos estudantes.
Mesmo com os avanços, o levantamento também chama atenção para problemas estruturais que ainda fazem parte da realidade de muitas creches e pré-escolas brasileiras. A infraestrutura inadequada das unidades de ensino aparece como uma das principais dificuldades enfrentadas pelas gestões municipais. Falta de recursos para manutenção, ampliação de vagas e aquisição de materiais pedagógicos estão entre as principais reclamações.
Outro ponto que preocupa é a inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências. Segundo o estudo, muitos municípios relatam dificuldades para garantir suporte adequado nas escolas, principalmente pela ausência de profissionais especializados e investimentos em acessibilidade.
A formação continuada dos professores também aparece entre os principais gargalos da educação infantil. Muitas redes municipais relatam dificuldades para oferecer capacitações frequentes e aprofundadas aos profissionais da área, especialmente nas unidades conveniadas.
Apesar dos obstáculos, o estudo mostra que a educação infantil brasileira vem avançando gradualmente, principalmente na construção de políticas voltadas ao desenvolvimento da linguagem e das experiências de aprendizagem nos primeiros anos de vida.